No evento de inauguração de um pavilhão do Centro de Convenções de Manaus, ontem, 23, o Presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil começou a sair das “nefastas garras da esquerda”, cujo governo teria decretado lockdown em todo o país, em meio à população gritando “o mito”. A medida não teria justificativas em sua opinião, considerando o ritmo em que avança a vacinação no Brasil, que caminha, no seu entendimento, para a “imunização de rebanho”, sendo que apenas 13,58% da população recebeu, a contar de janeiro, a primeira dose do imunizante.
Após a inauguração, Bolsonaro mais uma vez incomodou oficiais das Forças Armadas em entrevista à “TV A Crítica”, ameaçando usar o que chama de “meu Exército” para por fim às medidas restritivas de enfrentamento da pandemia da Covid-19 (Sars-CoV-2).
Precisamente em sua fala, usando o art. 142, da Constituição Federal, “se tivermos problemas nós temos um plano de como entrar em campo (...) o nosso exército, as nossas Forças Armadas, se precisar iremos para as ruas não para manter o povo em casa, mas para reestabelecer todo o art. 5º, da Constituição. E se eu decretar isso, vai ser cumprido esse decreto”. Ao seu ver, a intervenção garantiria a todos os direitos de ir e vir, de trabalhar, liberdade religiosa e de culto, que vêm sendo descumpridos por alguns governadores, se referindo ao lockdown como ato de “covardia”.
Complementou asseverando que “lamentavelmente o Supremo Tribunal Federal delegou” poderes aos Governadores e Prefeitos e que vêm discutindo com seus ministros, mencionando Damares inclusive, o que virão a fazer se chegarmos ao “caos generalizado se implantado no Brasil pela fome”, se esquivando de comentar a respeito da crise sanitária e o colapso do sistema público de saúde em inúmeros Estados.
A fala não foi bem vista e não é a primeira vez Bolsonaro se equivoca. Em março deste ano, no dia 18, durante uma transmissão ao vivo por suas redes sociais, chegou a comparar as medidas restritivas de prevenção à “estado de sítio” e “estado de defesa”, ambos previstos constitucionalmente.
Já no último dia 21, disse a seus apoiadores no Palácio da Alvorada: “alguns tiranetes ou tiranos tolhem a liberdade de muitos de vocês. Pode ter certeza, o nosso Exército é o verde oliva e é vocês também. Com as Forças Armadas pela democracia e pela liberdade”.
A entrevista na íntegra pode ser assistida no YouTube, acessando o link: