O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC encaminhou
nesta sexta-feira, 19, um pedido ao governador de São Paulo, João Doria
(PSDB), para que ele decrete lockdown nas 39 cidades que compõem a
Região Metropolitana de São Paulo.
O ofício é uma reiteração de outra solicitação já
feita há dois dias para que seja efetivado rapidamente o bloqueio total das
atividades nesses municípios, com a interrupção total dos serviços de
transporte público. Os prefeitos ainda aguardam um posicionamento de Doria.
Com o avanço da Covid-19, outras cidades de São
Paulo também estão discutindo a adoção de medidas mais rígidas nesta
sexta-feira. Prefeitos das regiões metropolitanas de Campinas e da Baixada
Santista deram continuidade às discussões que começaram na quinta-feira, 18, e
devem divulgar ainda hoje novas medidas de restrição. Em Campinas, os
municípios discutem a interrupção inclusive do transporte metropolitano entre
as cidades.
Medidas mais rigorosas já haviam sido adotadas
pelas prefeituras de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, onde foi proibido
até o funcionamento de supermercados, padarias e postos de combustíveis, além
das indústrias.
"Feriadão"
Na Baixada Santista, outra situação que está sendo
discutida pelos prefeitos é o risco de uma "invasão" de turistas em
razão da antecipação de feriados decretada pelo prefeito da capital paulista,
Bruno Covas (PSDB) -- uma medida adotada para evitar a decretação de lockdown.
Foram antecipadas duas datas de Corpus Christi, de
junho de 2021 e junho de 2022; e Dia da Consciência Negra, de novembro de 2021
e 2022, além do aniversário da cidade, que seria em janeiro de 2022.
Com isso, a cidade de São Paulo suspenderá as suas
atividades entre a próxima sexta-feira, 26 de março até 4 de abril, o que
criaria uma parada de dez dias consecutivos. A decisão não agradou aos
prefeitos da Baixada Santista, que estão estudando formas de bloquear a ida de
paulistanos para a região.
A medida de Covas também não agradou a Doria, que é
seu aliado. "Faltou bom senso", criticou o governador, que também
teme uma ida em massa ao litoral.
Em resposta, Covas afirmou que "o senso que
falta é o de urgência", em referência à necessidade de se tomar medidas
para conter o avanço do vírus.