A lâmpada não poderia ter sido invenção de outra mente brilhante senão a de Thomas Edson, em 1879, uma ideia que revolucionou o mundo. A princípio, as lâmpadas eram do tipo incandescente, compostas por uma cápsula de vidro a vácuo, onde filamentos de tungstênio são presos por fios de apoio e aquecidos por uma corrente elétrica até emitirem luz.

Esta lâmpada foi a primeira criada com boa durabilidade e possibilidade de ser industrializada, tanto que a Phillips da Holanda passou a produzi-las a partir de 1891.

Um dos exemplares da empresa pode ser encontrado na cidade de Tietê, aonde a energia elétrica chegou em 10 de julho de 1909. Neste mesmo dia, uma lâmpada incandescente foi instalada na Capela de São Benedito. Com mais de 110 anos, a lâmpada funciona até os dias atuais, sem nunca ter sido removida do lugar em mais de um século de funcionamento.


O GNTC esteve com o Presidente da Irmandade, Antônio Reinaldo Polezzi, para saber um pouco mais sobre a relíquia local. Segundo o relato, foi uma das primeiras lâmpadas instaladas no município e é considerada um milagre por muitos.

“A lâmpada é da marca Phillips, ela parece uma resistência de chuveiro, nunca vi algo parecido com ela”, disse. E realmente, ela é uma peça bem grande em comparação às lâmpadas que se vê hoje em dia, percebe-se ser muito resistente.

“É um milagre a lâmpada ficar funcionando por tanto tempo. Ela é acesa quando há cerimônias e missas, ao menos uma vez na semana. Nunca foi removida do lugar, em mais de trinta anos que trabalho aqui não vi nada sendo feito com ela”, relatou Antônio, ressaltando que “quando fazemos limpeza, pedimos para não tocar nela, mas mantê-la como está”.

Naquela época, as lâmpadas eram feitas praticamente à mão. A robustez da lâmpada tieteense certamente denota resistência, mas o que poderia tê-la feito durar tanto?

Uma das possibilidades é que seu pouco uso a conservou em boas condições. Quando as lâmpadas incandescentes são acesas e apagadas com muita frequência, o filamento de tungstênio se desgasta mais rapidamente. Ele se mantém frio quando a lâmpada está desligada, mas ao ser acesa ele sofre um impacto de energia e, por isso, se deteriora.

Para o professor de química da ETEC “Dr. Nelson Alves Vianna”, Endrigo Geines Berna Santiago, pós-graduado pelo Instituto Brasil de Ensino e Consultoria - IBRA, esta não seria a única explicação.

“As lâmpadas mais antigas têm outro tipo de filamento. Enquanto as lâmpadas mais novas têm um filamento extremamente fino, para aquecer mais e, assim, gerar a incandescência, emitindo uma luz mais forte, aquelas antigas, como a da Capela de São Benedito, têm um filamento bem espesso, então ela ilumina menos, mas tem uma durabilidade muito superior”, explicou.

O professor também mencionou que as lâmpadas como a da Capela eram feitas em atmosfera inerte, isto é, sem oxigênio, o que faz com que o filamento de tungstênio não oxide facilmente com o tempo, além de ela ser pouco acesa, um fator que ajuda a preserva-la melhor, aumentando seu tempo de vida útil.

“Por outro lado, devemos lembrar o lugar onde ela está, em uma Capela. É complicado afirmarmos que esta seria a única explicação para a lâmpada de lá nunca ter queimado”, finalizou.

De uma forma ou de outra, o certo é que o fato de a lâmpada iluminar o altar da Capela a mais de um século é um fenômeno curioso, visto como um milagre por milhares de pessoas que a viram acesa, algo que merece uma visita.

Curiosidade

Você sabia que a Capela de São Benedito abriga um pedaço da cutícula de São Benedito? Ela foi selada pelo próprio Vaticano e é um elemento de fé, que atrai milhares de pessoas para a cidade.

Além disso, em 1971 o manto de São Benedito passou uma semana na Capela, estando hoje em Palermo, na Itália. A festa de São Benedito, celebrada no último domingo de cada mês de setembro, começou a ser celebrada por conta dela.