Ontem, 18, o ex-Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, prestou depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito constituída para investigação da atuação do Governo na gestão da pandemia da Covid-19. Logo que aberta a sessão, os Senadores aprovaram o requerimento de convocação do Coronel Élcio Franco, ex-Secretário Executivo do Ministério da Saúde, próximo do ex-Ministro Eduardo Pazuello. Ainda, aprovaram o chamamento de Hélio Angotti Neto, atual Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos da pasta da saúde.

De início, afirmou que a relação do Brasil com a China é “madura e construtiva”, fator que teria possibilitado a importação de vacinas, acrescentando que “jamais promovi nenhum atrito com a China”, negando qualquer confronto com o país e declarações “antichinesas”. Quanto à relação com Donaldo Trump, ex-Presidente dos Estados Unidos da América, disse que em nada contribuiu para aquisição dos imunizantes.

No que se refere à hidroxicloroquina, confirmou a hipótese de o Governo ter promovido uma corrida para adquiri-la, por meio do Ministério da Saúde e do Itamaraty, que buscaram facilitar a importação da china do fármaco, devido ao baixo estoque e expectativa “mundial” de eficácia contra Covid-19. E quanto à sua demissão, disse haver sido decorrente das dificuldades em se relacionar com o Senado e que, certamente não se deveria à questão das vacinas. Complementou que o Presidente Jair Bolsonaro, pessoalmente, requereu fosse viabilizado “um telefonema dele com o Primeiro Ministro” da Índia.

O ex-Chanceler negou, ainda, a existência de um “aconselhamento paralelo internacional” do Governo Bolsonaro, um dos pontos-chave de investigação da CPI, e que não tem “conhecimento de que tenha havido interferência política nos atrasos que registramos”. 

A Senadora Kátia Abreu – PP/TO tomou a fala por cerca de 20 minutos, sem elaborar nenhuma pergunta ao depoente, mas afirmando que ele possui “duas personalidades” e que seu comportamento foi nocivo ao país, que foi reduzido à uma condição pária e irrelevante, devido ao seu negacionismo compulsivo. “O senhor no MRE foi uma bússola que nos direcionou para o caos, que nos levou ao iceberg, ao naufrágio”, disse.

Retomada a sessão após ser suspensa devido à discussão entre Senadores, o ex-Ministro depoente afirmou que “a Índia através da exportação de vacinas prontas” foi um dos países que mais cooperaram no combate à pandemia, ao lado da China, apesar de haver publicado em seu blog “Meta Política Brasil” um artigo em que se referia ao novo Coronavírus como “comunavírus” e que tudo faria parte de um plano comunista. Com relação à carta da Pfizer, que chegou às suas mãos, respondeu não a ter encaminhado a Bolsonaro por saber que ele já havia a recebido igualmente.

Hoje, 19, está sendo inquirido o ex-Ministro da Saúde Eduardo Pazuello em uma das sessões mais aguardadas, por se tratar de um nos nomes mais citados por outros depoentes ao longo dos trabalhos da Comissão.