A Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada para apurar a atuação do Governo na gestão da pandemia da Covid-19 vem perdendo o seu fôlego no decorrer das duas últimas semanas, em que se ausentaram testemunhas-chave para o prosseguimento das investigações. A aposta, agora, é apuração de fatos mediante a quebra de sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal, que já afetou inúmeras pessoas suspeitas de integrarem o gabinete paralelo de aconselhamento supostamente mantido pelo Presidente Jair Bolsonaro.

As expectativas recaem mais sobre os dados a serem apurados do ex-Ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que podem revelar efetivo contato com as empresas que estão sendo apontadas como envolvidas pela CPI no impulsionamento das campanhas de tratamento precoce da Covid com medicamentos sem eficácia científica comprovada.

O ex-Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, foi inquirido na última quarta, 16, tendo revelando importantes informações, visto ter relatado suspeitas de que a gestão de Organizações Sociais do Estado estaria operando hospitais e Unidades de Pronto-Atendimento – UPA e, ainda, ligadas à milícia. 

Witzel ainda acusou a por ele chamada “máfia da saúde”, envolvendo hospitais federais, de ter financiado sua queda no Governo, considerando ter sido cassado. Em razão dele, foi solicitada quebra de sigilo de seus Organizações a ele ligadas, além de se ter pedido a convocação do atual Governador do Rio, Cláudio Castro, e do Secretário Estadual da Saúde.

Como se vem notando, a CPI vem ampliando o leque de investigação, indo além de meras omissões ou ações de Bolsonaro, buscando averiguar o seu envolvimento com estas Organizações, com hospitais e com farmacêuticas. 

Hoje, 18, será apreciado o requerimento de quebra de sigilo telemático, bancário e fiscal de Carlos Eduardo Sanchez, presidente de um grupo de empresas que detêm a EMS. Ainda hoje, deverá ser apresentada pelo Relator, Senador Renan Calheiros – MDB/AL, uma lista de convocação de ao menos onze testemunhas, incluindo o próprio Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, além da reconvocação de outras figuras políticas, como Pazuello, Ernesto Araújo e Fabio Wajngarten.