De dezembro do ano passado até aqui, o mundo já aplicou 1,6 bilhão de doses de vacinas, a maioria, no entanto, em habitantes de países ricos, que concentram 15% da população mundial. Nestas localidades, 1/3 das pessoas receberam pelo menos uma dose do imunizante, mas esta proporção cai para 0,2% em análise do ritmo de vacinação nos países pobres.

Enquanto as nações com maiores poderes aquisitivos e geopolíticos concentram os maiores números de imunizantes, a exemplo dos Estados Unidos, que pode vacinar três vezes sua população, e o Canadá, que adquiriu 10 doses por habitante, países como Guatemala e Honduras não imunizaram sequer 1% da população, ao passo em que seis países do continente africano sequer iniciaram suas campanhas.

Na semana passada, o Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhamon, denominou a situação como “apartheid das vacinas” e um “fracasso moral catastrófico”, fazendo um apelo aos países que podem para que doem parte do estoque excedente de vacinas.

Outro alerta que se faz é quanto ao risco do surgimento e aumento de circulação de novas variantes, como a indiana – B.1.617, que já surgiu no Brasil. Se porventura resistentes à vacina, as campanhas realizadas nos países nobres perderiam grande parte dos resultados obtidos, levando à necessidade de nova corrida por imunizantes, tornando os esforços empregados até aqui contraproducentes.

Além da importância de doação de doses, que poderiam contribuir totalizar 153 milhões se houvesse contribuição dos países do G7 e da União Europeia, segundo estudo da Unicef, outras soluções possíveis vêm sendo discutidas, como a suspensão das patentes das vacinas enquanto perdurar a crise sanitária, uma proposta da Organização Mundial do Comércio por Índia e África do Sul, apoiada por 110 nações, inclusive pelos EUA.