Pedro Pixten é um cantor e compositor brasileiro independente, nascido em Capivari, interior de São Paulo, em 16 de março de 1998. Escrevendo desde os 13 anos, sempre foi apaixonado pelo mundo da música e da língua inglesa, tendo como inspiração ícones do passado, como David Bowie e os Rolling Stones, e também influências atuais, como Lady Gaga e The Neighbourhood.
O jovem artista se lançou no mundo da música em 2017, quando disponibilizou sua primeira música autoral Why?, mas foi apenas em janeiro de 2020 que sua carreira se iniciou oficialmente com a estreia do single The Sea, disponível em todas as plataformas musicais e, mais tarde, lançou seu primeiro EP, em 23 de novembro do ano passado, denominado X, que inclui Paradise, música do seu primeiro videoclipe.
O GNTC o convidou para uma entrevista e pudemos conhecer um lado do cantor até então pouco comentado, confira.
1. GNTC: Como você se interessou pelo universo artístico e quais barreiras precisou romper para se lançar definitivamente na música?
PEDRO PIXTEN: Desde muito pequeno eu sempre fui apaixonado por arte, comecei dançando em um grupo da escola e pouco tempo depois entrei para o teatro. Ao longo da minha infância explorei outras áreas também, fiz aulas de pintura, fui contador de histórias, mas eu sempre tive uma conexão muito forte com a música e sempre usava minha criatividade para que de alguma forma eu fizesse parte dela.
Até os meus 15 anos, as únicas vezes que eu tinha cantado em público foram nas apresentações da escola e em algumas vezes que participei do coral da igreja, mas nunca tinha se passado pela minha cabeça que um dia eu iria querer me tornar um cantor, eu sabia apenas que seria artista, mas cantar não era uma prioridade. Até que um dia, quando estava em casa assistindo ao show da Lady Gaga, me veio uma vontade de querer estar ali em cima de um palco cantando para um monte de gente, de poder, assim como ela, contar a minha história através da música. Assim eu comecei a escrever tudo aquilo que eu sentia de uma maneira que eu pudesse cantar para as pessoas, foi quando decidir quem eu queria ser. Escrevi 20 músicas facilmente, que tenho guardadas até hoje, apenas esperando o momento certo para mostrá-las para o mundo, mas as coisas não eram tão fáceis como eu imaginava.
Eu venho de uma família humilde, mas que nunca me deixou faltar nada, eu lembro que meus pais faziam de tudo, todos os sacrifícios para me dar o melhor que podiam e sempre me apoiaram em todas as minhas escolhas, não foi fácil, eu não tinha entendimento de certas situações que a gente passava e pra mim era tudo uma questão de querer, mas tivemos algumas situações que me fizeram entender que a realidade é outra e que quando a gente foge dela as coisas podem piorar. Depois de tanta coisa, com 15 anos eu consegui entrar num curso técnico e trabalhar, e assim poder aprender mais sobre responsabilidade, mas não vou mentir dizendo que no final eu não errava mais, porque até hoje eu sigo errando e aprendendo.
Em 2016 me mudei para Curitiba em busca da minha independência e não foi como eu esperava, voltei para casa e passei 3 anos tentando ser o melhor que eu podia para um dia poder tentar mais uma vez, então eu decidi me mudar pra São Paulo e, finalmente, ir em busca do que eu queria, mas, mais uma vez, não era o momento certo. No final de 2019, voltei para Rafard e comecei a trabalhar de verdade nas minhas músicas com ajuda de uns amigos. Passamos dois meses criando 3 das músicas do meu primeiro EP, mas em 2020 eu decidi voltar pra São Paulo e paralisei tudo, querendo primeiro me estabilizar financeiramente, deixando as músicas para mais tarde.
Foi então que a pandemia da Covid-19 começou, as coisas se dificultaram e foram 7 meses de medo, incerteza e muita ansiedade, até que eu decidi que precisava voltar para a casa dos meus pais, pois toda aquela situação começou a reagir no meu corpo, fui à consultas médicas e fiz alguns procedimentos para entender o que estava acontecendo e me tratei corretamente no meio de tudo isso. Aí que voltei a trabalhar nas minhas músicas e graças a investimentos, rifas, amigos de várias áreas me ajudando, eu finalmente consegui lançar o X, tive muitas ideias para ele, mas, infelizmente, por conta da pandemia, não consegui concretizar todas, mas estou muito muito feliz pelo que fiz até agora e afirmo sempre que se não fosse pelas pessoas que acreditam em mim, não teria dado certo.
2. GNTC: Você enxerga a música como uma ferramenta política? Como isto se mostra presente nas suas produções?
PEDRO PIXTEN: A música foi, é e sempre será uma ferramenta política, e mesmo que não pareça, a minha música pode ser de grande influência, principalmente no momento político que vivemos hoje. Em Over Me eu digo que não importa se alguém queira voar pelos céus como um anjo ou queimar minhas esperanças como um demônio, que se ela quiser se impor acima de mim eu não vou deixar, porque eu sei pelo o quê luto, sei no que acredito e quero que as pessoas nunca desistam de lutar pelo certo e, principalmente, pelos seus direitos de igualdade.
3. GNTC: Você alcançou um público considerável com o lançamento do seu primeiro EP intitulado X, quais traços você acredita que lhe sejam características marcantes?
PEDRO PIXTEN: Quando eu escrevo uma música, a minha intenção é fazer com que as pessoas se identifiquem de alguma forma com aquilo que estou dizendo, e acredito que seja importante que eu passe isso para elas de uma maneira confiante e forte, para que elas sintam exatamente o que eu estou sentindo. Uma das coisas que eu percebi é que no momento em que fui gravar a minha voz eu não me senti pronto para me expor daquele jeito, mas mesmo assim eu me esforcei e tentei tirar aquilo de mim a qualquer custo. O mais engraçado é que uma pessoa se virou para mim e disse que o resultado final ficou interessante, porque como o EP se trata de uma constante batalha que acontece em minha mente, essa minha batalha para expor os meus sentimentos acabaram ficando bem nítida na minha voz e o que eu achava que foi um erro, se tornou algo que fez muito mais a pessoa entender o sentido de tudo aquilo. Então eu acredito que muitos possam ter tido o mesmo pensamento e que eu consegui transmitir o que estava em mim também pelas letras. Talvez agora consegui me conectar com as pessoas como nunca havia imaginado ser possível.
4. GNTC: Na música Paradise, faixa que se sobressaiu em relação às demais faixas, você afirma: “eu quero criar algo novo que me traga de volta à vida e criar algo que definirá o significado de Paraíso em minha mente”. Você acredita que criou algo novo? E antes, encontrou o seu próprio paraíso?
PEDRO PIXTEN: Há muito tempo eu já havia criado algo novo, eu só não sabia disso. O fato do Pedro Pixten existir já mostra que eu entendia quem sou e o que eu quero, mas eu ainda estou bem longe desse meu paraíso, estou no caminho certo, mas ainda tem muito chão para correr. Ser o Pedro Pixten não só me trouxe de volta a vida, como me trouxe para uma vida totalmente nova, uma vida que vou sim ter que continuar lutando, sonhando e acreditando. O meu paraíso me quer na mesma intensidade que eu o quero.
5. GNTC: A melancolia parece ser uma constante sua e está presente em grande parte do seu trabalho, de forma poética e cuidadosamente posta. Qual a sua inspiração e como se dá o processo criativo das suas músicas?
PEDRO PIXTEN: Eu me inspiro muito nos meus sentimentos, geralmente em sentimentos que ficam guardados por muito tempo e que eu nunca consegui expressar, então eu trabalhei muito nisso para que eu pudesse, aos poucos, colocar tudo isso para fora, através da música e, incrivelmente, os mais tristes e obscuros foram os que saíram de mim com maior facilidade, resultando em músicas mais melancólicas. No início, todas as músicas do EP eram mais suaves, tristes, mas decidi trabalhar para que outros sentimentos tomassem conta das histórias e as contassem por si próprios. É um processo ainda indeterminado, meu próximo projeto vai mostrar bem isso e talvez a melancolia não seja tão necessária, ao menos por enquanto.
6. GNTC: Recentemente você anunciou que estará lançando em breve novos trabalhos, o que pode nos contar sobre ele?
PEDRO PIXTEN: Estou trabalhando em um novo EP que se chamará ‘MANIA’. Agora eu saio um pouco da minha mente e tento trazer mais das minhas ações ao longo da vida, as maneiras como me enxergo e as atitudes tomo. Ainda não decidi se as músicas estarão inteiramente em português, mas posso afirmar que a maior parte estará. Também não sei ao certo quantas músicas estarão presentes no projeto, mas 3 delas logo começam a ganhar vida. No entanto, antes de lançar ‘MANIA’, vou lançar um projeto ao vivo com as músicas do X e já apresentar algumas das novas músicas, mas, por enquanto, tudo segue sem data, pretendo fazer um planejamento maior antes de anunciar qualquer coisa além do que eu já postei nas minhas redes sociais.
Quero poder me conectar ainda mais com as pessoas que me ouvem e conseguir com que mais pessoas se identifiquem comigo, fazendo com que todos possamos, juntos, superar nossas inseguranças e nossas batalhas.
7. GNTC: um recado para os leitores.
PEDRO PIXTEN: Nunca desista dos seus sonhos, seja forte para enfrentar qualquer batalha e, principalmente, conheça a si mesmo, entenda quem você é, porque somente assim encontraremos o nosso paraíso. Ninguém jamais estará acima de você, mas muita gente pode e estará ao seu lado, assim como eu.
O EP X está disponível em todas as plataformas de streaming e também no YouTube, não deixe de conhecer o trabalho deste artista. O GNTC agradece pela entrevista.