Doses devem ser entregues ao Ministério da Saúde
As primeiras doses de vacinas
produzidas com Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) nacional, fabricado pela
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), devem ser entregues ao Ministério da Saúde
a partir de setembro. A previsão é do diretor de Bio-Manguinhos, Maurício
Zuma. Ele participou, juntamente com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, da
assinatura de um memorando científico e tecnológico entre a Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp) e a Fiocruz, na sede da entidade, no Rio.
“A produção de um lote demora
pelo menos 45 dias. Depois tem todo o processo de controle de qualidade e
caracterização. Nós vamos ter que produzir alguns lotes, para que tenha
validação. A gente acredita que setembro e outubro a gente possa
receber essa autorização da Anvisa e poder liberar doses para o
Ministério da Saúde”, disse Zuma.Segundo ele, o prazo é longo porque há um
processo obrigatório a ser seguido que inclui adequações nas instalações de
Bio-Manguinhos. “Para que a Anvisa possa vir, na última semana de abril, nos
conceder as condições técnico-operacionais. Só aí é que nós poderemos manipular
agentes biológicos nessa área. A nossa expectativa é que maio ou junho a gente
já esteja começando a produção do IFA nacional. Isto é um processo, leva um
tempo”.
Brasil
O ministro Queiroga lembrou que a
produção de vacinas no Brasil está aumentando e que o país já é um dos que mais
imunizam a população contra a covid-19 em todo o mundo.
A presidente da Fundação Oswaldo
Cruz (Fiocruz) Nísia Trindade, fala à imprensa, após visita às instalações de
produção da vacina da Fiocruz/ Oxford /AstraZeneca, no Rio de Janeiro.
“Nós teremos, só em agosto, mais
de 30 milhões de doses produzidas na Fiocruz e no Butantan. [Sendo] 18 milhões
de doses com IFA importado da China. Isso já é um grande avanço. O Brasil é o
quinto país que mais vacina, com o maior número de doses aplicadas. É uma
conquista das nossas duas instituições, Fiocruz e Butantan. Isso assegura
o cumprimento da meta de 1 milhão de vacinados por dia. E vamos ampliar. Com a
autonomia na produção do IFA, vamos ter mais vacinas ainda na Fiocruz e outras
vacinas, que temos acordos internacionais, que vão se juntar ao nosso programa”
disse Queiroga.
Perguntado sobre a intenção de
empresas em importar vacinas para imunizar seus empregados e familiares, o
ministro disse que se tratava de legislação aprovada no Congresso, que deve ser
cumprida por todos os cidadãos.
“Como ministro da Saúde, compete
a mim gerir o Programa Nacional de Imunizações. Desde que haja vacinas
suficientes, nós temos condições de imunizar toda a sociedade brasileira. Mas
vivemos num regime democrático. O Congresso aprovou uma lei. Todos nós temos
que nos submeter ao regime da lei. Se o Congresso aprovou uma lei e ela foi
sancionada, todos nós temos que cumprir”, disse Queiroga.
Convênio
Também participaram da assinatura
de convênio a reitora da Unifesp, Soraya Soubhi Smaili, e a presidente da Fiocruz,
Nísia Trindade Lima. A duas instituições têm grande destaque em pesquisas e na
produção científica nas áreas médica, biomédica, farmacêutica e de saúde
coletiva, formam recursos humanos para o Sistema Único de Saúde e atuam em
áreas como ensino técnico e de pós-graduação em saúde.
Ambas mantêm um complexo de saúde
constituído por hospitais, dispõem de uma rede de assistência, pesquisa
clínica, observatórios de monitoramento epidemiológico e laboratórios, além de investirem
em programas de inovação. Outras informações sobre o convênio podem ser obtidas
na página da Fiocruz na internet.
O diretor do Instituto de
Biotecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), Maurício Zuma,fala à
imprensa, após visita às instalações de produção da vacina da Fiocruz/ Oxford
/AstraZeneca, no Rio de Janeiro.