O Nubank anunciou que recebeu um
novo aporte de US$ 400 milhões, que fez a empresa atingir a avaliação de US$ 25
bilhões, levando a fintech a se tornar a quarta instituição financeira mais
valiosa da América Latina, ultrapassando grandes bancos listados na Bolsa
brasileira, como o Banco do Brasil.
Esse investimento pode ser a
última captação do Nubank: a empresa começou a dar os primeiros passos para
realizar a esperada oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).
Fontes do mercado apostam que a companhia deve escolher os Estados Unidos para
listar suas ações.
A rodada anunciada ontem foi
liderada pelo fundo GIC, de Singapura, e também teve participação de Whale Rock
e Invesco. Além disso, estavam no aporte investidores que já apostaram no Nubank,
como Tencent, Dragoneer, Ribbit Capital e Sequoia.
A GIC tem em seu portfólio de
investimentos empresas como a Locaweb e a Sankhya, fornecedora mineira de
sistemas de gestão empresarial. Já a Whale Rock investiu em companhias como
Tesla, Amazon e Facebook.
Ao anunciar o aporte, o Nubank
disse ainda que chegou ao número de 34 milhões de clientes, quase o triplo do
que tinha em 2019, ano em que atingiu avaliação de US$ 10 bilhões.
Agora, com os novos recursos, o
plano é reforçar a expansão internacional - o Nubank já atua no México e na
Colômbia. "Não é apenas no Brasil que as pessoas sofrem com serviços
financeiros burocráticos. Essa é uma dor compartilhada por todos os
latino-americanos. Com esta nova rodada, seremos capazes de acelerar e escalar
nossas operações no México e na Colômbia e liberar ainda mais pessoas das
complexidades financeiras", disse em nota David Vélez, fundador e
presidente executivo do Nubank.
No ano passado, a empresa
levantou US$ 300 milhões - especulou-se de que se tratava de uma rodada de
investimentos, mas a reportagem apurou que a movimentação foi na verdade uma
operação de débito conversível. O Nubank fez isso para atravessar os estágios
iniciais da pandemia, que traziam incertezas gerais para o mercado, de maneira
capitalizada. Assim, a última rodada de investimentos da companhia foi a de
junho de 2019, quando levantou outros US$ 400 milhões.
VALOR DE MERCADO
Com a nova a avaliação de US$ 25
bilhões (cerca de R$ 138 bilhões), o Nubank ultrapassou o valor de mercado do Banco
do Brasil, que é listado na Bolsa e ontem valia R$ 99,1 bilhões. Agora, a
empresa corre atrás do Santander Brasil (R$ 153,4 bilhões), Bradesco (R$ 210
bilhões) e Itaú (R$ 267 bilhões).
A fintech também ultrapassou
outras grandes empresas do setor financeiro como XP, Stone e BTG.
Para Gilberto Sarfati, professor
da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), o avanço do Nubank é positivo
para os clientes brasileiros. "O crescimento do Nubank traz ainda mais
competição em um setor que até então era concentrado em grandes bancos. É um
incentivo de inovação ao segmento financeiro como um todo e também um desafio
para os bancos tradicionais", afirma.
O novo aporte também reforça o
aquecimento vivido pelas fintechs desde o ano passado. Em 2020, empresas do
setor receberam investimentos que somaram US$ 1,9 bilhão, segundo dados do hub
de inovação Distrito. Nos últimos 7 anos, o Nubank levantou ao todo US$ 1,2
bilhão em investimentos.
Na visão de Guilherme Horn,
conselheiro da ABFintechs, esta nova rodada de investimento no Nubank demonstra
a confiança dos investidores no potencial do mercado brasileiro: "O setor
financeiro no Brasil ainda apresenta muitas oportunidades, dadas as
ineficiências presentes, principalmente na experiência do consumidor".
CRESCIMENTO
Ao longo do último ano, o Nubank
tem investido em uma série de aquisições para expandir seus negócios: a fintech
comprou a consultoria Plataformatec, especializada em engenharia de software, a
Cognitect, empresa de engenharia de software americana e a Easynvest, corretora
com mais de 1,5 milhão de clientes.
A quantidade de serviços também
cresceu, com o lançamento de um cartão de débito virtual para compras online e
de um seguro de vida com mensalidade média de R$ 9.
Sarfati, da FGV, afirma que o
Nubank tem como principal desafio pela frente apresentar um modelo de negócios
sólido que consiga se rentabilizar sobre os clientes. E é no cliente também que
estão as oportunidades: "O cliente jovem do Nubank está amadurecendo e
nesse movimento há um espaço para sofisticação de serviços, como novos tipos de
investimento", diz o professor.