O papa Francisco adaptou uma citação famosa do "Hamlet", de Shakespeare, em um apelo para que as pessoas não continuem cegas à destruição do meio ambiente e à migração em massa que ela pode causar, escrevendo: "Ver ou não ver, eis a questão."
Francisco ainda pediu às pessoas que trabalhem juntas para proteger "a criação, nossa casa comum" e não se "recolham" no individualismo. O apelo foi feito no prefácio de um documento do Escritório de Desenvolvimento do Vaticano para o Cuidado Pastoral de Pessoas Deslocadas por Eventos Climáticos.
"Sugiro que adaptemos o famoso 'ser ou não ser', de Hamlet, e afirmemos: 'ver ou não ver, eis a questão!' Isso começa com a visão de cada um, sim, a minha e as suas", escreveu Francisco.
"Não sairemos de crises como a do clima e da covid-19 nos recolhendo no individualismo, mas somente 'estando muitos juntos', pelo encontro, o diálogo e a cooperação", acrescentou no prefácio do estudo de 30 páginas divulgado nessa terça-feira (30).
Conservadores da Igreja Católica, muitos alinhados a forças políticas, são céticos sobre a mudança climática e contestam a opinião científica majoritária de que o aquecimento global é causado principalmente pelo homem.
"Quando pessoas são expulsas porque seu meio ambiente local se torna inabitável, pode parecer um processo da natureza, algo inevitável. Mas muitas vezes o clima em deterioração é resultado de escolhas ruins e atividade destrutiva, do egoísmo e da negligência, que colocam a humanidade em choque com a criação, nossa casa comum."
O papa latino-americano, que deseja passar a
história como um pontífice ambientalista, fez novamente um apelo a "uma
conversão ecológica, expressa em ações concretas". "Como uma família
única e interdependente, precisamos de um plano compartilhado para evitar as
ameaças à nossa Casa Comum. A interdependência nos obriga a pensar em um mundo,
um projeto comum", destacou.
Retomando um provérbio espanhol em que Deus sempre
perdoa, o homem às vezes perdoa, mas a natureza nunca o faz, Francisco disse:
"Se deterioramos a Terra, a resposta será muito feia". "Vemos
essas tragédias naturais, que são a resposta da Terra aos nossos maus-tratos", concluiu Francisco.