Ontem, 23, o Deputado Luis Miranda – DEM-DF afirmou que teria alertado o Presidente Jair Bolsonaro a respeito dos indícios de irregularidades na negociação entre o Ministério da Saúde e a farmacêutica indiana Bharat Biotech, fornecedora das vacinas Covaxin, intermediada pela Precisa Medicamentos.

Ocorre que a Polícia Federal não encontrou qualquer registro acerca da existência de inquérito aberto para apuração da compra das vacinas, contrariamente às afirmações do parlamentar, segundo quem o Presidente iria providenciar a abertura da investigação por ter compreendido a gravidade dos relatos levados até ele.

A aquisição destes imunizantes se tornaram o novo alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada para apurar a atuação do Governo na gestão da pandemia. Isto porque a dose unitária foi adquirida a um custo 1.000% maior do que o estimado pela própria fornecedora, no valor de R$80,70, superior a todos os demais imunizantes já adquiridos pelo Brasil.

Com a divulgação no último dia 18 do depoimento sigiloso do chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, Luíz Ricardo Miranda, irmão do Deputado Miranda, descobriu-se que ele afirmou ter recebido uma “pressão atípica” para agilizar a liberação da Covaxin, que ainda está na última etapa de testes para aprovação pela Anvisa.

Ao todo, o Governo se comprometeu com R$1,61 bilhão em razão da contratação, que não possui qualquer perspectiva de entrega, apesar das negociações terem antecedido outras com demais farmacêuticas, a exemplo da Pfizer, cujo negócio foi fechado apenas em março deste ano.

A CPI da Covid escalou Elcio Franco, assessor especial da Casa Civil e ex-Secretário-Executivo do Ministério da Saúde, para depor e explicar melhor os fatos que circundam este caso. O Presidente Jair Bolsonaro, por sua vez, requereu a investigação pela Polícia Federal tanto do parlamentar quanto do seu irmão, autores das acusações em seu desfavor, também no dia de ontem, 23.