Para conter os custos da energia elétrica no país, projeto
em tramitação no Senado estabelece um teto para o valor pago pela energia de
Itaipu Binacional que cabe ao Brasil. O limite será de US$ 12 por quilowatt
(kW), segundo o texto apresentado pelo senador Esperidião Amin (PP-SC).
A proposta (PL 1.830/2025) altera a Lei 5.899, de 1973, e
está em análise na Comissão de Infraestrutura (CI), sob relatoria do senador
Laércio Oliveira (PP-SE). Depois, seguirá para a Comissão de Assuntos
Econômicos (CAE), responsável pela decisão terminativa — se aprovada, poderá
seguir diretamente para a Câmara dos Deputados, salvo recurso para votação em
Plenário.
O projeto busca reduzir os valores repassados aos
consumidores, ao limitar o preço pelo qual a Empresa Brasileira de
Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) revende a energia no
mercado nacional. A regra não se aplica à parcela da energia que pertence ao
Paraguai e é cedida ao Brasil.
Esperidião Amin argumenta que a quitação da dívida de
construção da usina, em 2023, deveria ter resultado na redução de tarifas, como
previsto no Tratado de Itaipu. No entanto, parte dos recursos antes destinados
ao pagamento da dívida passou a ser utilizada em programas de responsabilidade
socioambiental da usina, cujos gastos chegaram a US$ 921 milhões em 2023.
“Os consumidores brasileiros são impedidos de se
beneficiarem de uma redução tarifária na energia gerada por Itaipu, o que
aliviaria a elevadíssima tarifa de energia elétrica paga pelas famílias e pelas
empresas brasileiras”, afirma o senador.
De acordo com dados citados no projeto, os gastos com
programas de responsabilidade socioambiental aumentaram de US$ 302 milhões em
2021 para mais de US$ 921 milhões em 2023. Esperidião Amin afirma que esses
valores vêm sendo aplicados sem fiscalização adequada.
“Os gastos da Itaipu Binacional com programas de
‘responsabilidade socioambiental’ constituem um verdadeiro orçamento público
paralelo, caracterizado pela escassa transparência”, aponta o autor.
Ele destaca ainda que, por decisão do Supremo Tribunal
Federal (STF), o Tribunal de Contas da União (TCU) só pode fiscalizar a Itaipu
mediante acordo formal entre Brasil e Paraguai. A Comissão Binacional de Contas
prevista em nota diplomática de 2021 ainda não foi criada.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a tarifa para a
parte brasileira da energia de Itaipu foi mantida em US$ 16,71/kW até 2026,
mesmo após a quitação da dívida da usina. A proposta legislativa segue a
estimativa divulgada pelo próprio governo, que projeta, a partir de 2026, um
custo operacional entre US$ 10 e US$ 12 por kW.
O autor ressalta que o projeto não altera os termos do
Tratado de Itaipu, que continua atribuindo à binacional a definição do preço da
energia fornecida. O texto trata apenas da revenda no mercado interno feita
pela ENBPar.