Ao passo em que avança a vacinação contra a Covid-19, vêm-se observando uma queda na incidência da doença e de mortes dela decorrentes nas faixas-etárias mais avançadas, dentre 70 anos a 90 anos de idade ou mais. Com a campanha de imunização maciça do público da faixa dos 60 anos, a tendência de queda se tornou perceptível. Enquanto as pessoas deste grupo representavam 23% dos hospitalizados e 29% dos mortos até março, atualmente atingem um percentual de apenas 11% e 16%, respectivamente, uma queda aproximada de 50%.
Se considerados os números absolutos, na última semana do mês de março foram contabilizados 5.737 pacientes da faixa-etária dos 60 que morreram em razão da doença, enquanto na segunda semana deste mês foram registrados apenas 865 óbitos, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde.
Os números apontam para a tendência que vem de fato se consolidando, o rejuvenescimento das vítimas da Covid-19 no Brasil. A queda do agravamento da doença entre pessoas de 80 e 90 anos já haviam sido percebidas no fim de fevereiro e em abril se constatou o mesmo com pessoas do grupo de 70 anos.
De acordo com o epidemiologista e demógrafo Raphael Guimarães, pesquisador da Fiocruz, isto “seguramente é um efeito da vacina. (...) O que a gente tem observado é que à medida em que o país consegue vacinar idosos mais novos, a participação dessas faixas em mortes e internações reduz”.
A preocupação, portanto, se volta aos mais jovens. O número de internados com 40 a 60 anos subiu de 17% do início do ano para 40%, tendo a faixa de até 40 anos passado a representar de 5% iniciais um total de 11% das internações.
Este processo de rejuvenescimento das vítimas de Covid-19 deverá se intensificar, podendo “perpetuar um cenário obscuro de óbitos altos”, segundo o boletim epidemiológico do Instituto Fiocruz. Os pesquisadores ainda expressam sua preocupação: “este é um cenário extremamente preocupante, especialmente para um país cuja estrutura etária ainda é relativamente jovem. O que virá, com a manutenção deste quadro, será verdadeiramente uma onda: incapacidade e condições crônicas para brasileiros jovens, que perderão em qualidade de vida e capacidade produtiva”.