O Senado aprovou na noite de
ontem (3), em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
186/2019, a chamada PEC Emergencial. Depois de dias de discussão em
plenário e negociações nos bastidores, o relator da matéria, Márcio Bittar
(MDB-AC), chegou a um texto que, se não obteve unanimidade, conseguiu apoio da
maioria. A votação do segundo turno da PEC foi convocada para hoje (4) às 11h.
O texto-base da PEC foi aprovado
por 62 senadores e teve 16 votos contrários no primeiro turno. Após a
aprovação em segundo turno, a PEC segue para análise da Câmara dos Deputados.
O texto cria mecanismos de ajuste
fiscal, caso as operações de crédito da União excedam as despesas. Ele também
possibilita o pagamento do auxílio emergencial com créditos extraordinários sem
ferir o teto de gastos públicos. O gasto com o auxílio também não será afetado
pela chamada “regra de ouro”, um mecanismo que proíbe o governo de fazer
dívidas para pagar despesas correntes. O governo estuda retornar com o auxílio
emergencial em forma de quatro parcelas de R$ 250 ainda
este mês.
Evitar gasto excessivo
Bittar acrescentou nesta
quarta-feira ao relatório mais uma “trava” para evitar um gasto excessivo com o
auxílio. O relator limitou a R$ 44 bilhões o valor disponível para pagamento do
auxílio emergencial. “Na redação anterior não constava tal limite, o que
poderia trazer incertezas quanto à trajetória fiscal, com prejuízos ao ambiente
econômico”, disse o senador em seu relatório.
O relator também fixou o prazo de
vigência das medidas de ajuste fiscal previstas na PEC para enquanto durar a
situação de calamidade pública. “Considero pertinentes as sugestões de que a
persistência das vedações fiscais do Artigo 167-G seja mantida apenas durante a
situação de calamidade pública de âmbito nacional e não estendida além do seu
término”
As medidas de ajuste fiscal
mantidas no texto incluem gatilhos de contenção de gastos para a União, os
estados e os municípios. Na esfera federal, todas as vezes em que a relação
entre as despesas obrigatórias sujeitas ao teto de gastos e as despesas totais
supere 95%, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e o Ministério
Público proibirão aumentos de salário para o funcionalismo, realização de
concursos públicos, criação de despesas obrigatórias e lançamento de linhas de
financiamento ou renegociação de dívidas.
Auxílio emergencial separado
Durante a sessão, os senadores
votaram um requerimento do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) que
separava o auxílio emergencial das medidas de ajuste fiscal, fatiando a PEC em
duas propostas diferentes. Vieira via no auxílio emergencial uma urgência
necessária na votação; urgência que não considerava ser a mesma nos trechos
referentes ao ajuste fiscal.
Álvaro Dias (Podemos-PR), Leila
Barros (PSB-DF), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Zenaide Maia (Pros-RN) e Rogério
Carvalho (PT-SE), dentre outros, apoiaram o requerimento de Vieira. Para eles,
as matérias referentes ao ajuste fiscal devem ser discutidas com mais tempo e a
urgência do auxílio emergencial não deveria ser usado para apressar a aprovação
de tais matérias. O requerimento, no entanto, não obteve votos suficientes e
foi rejeitado.