Trabalho será executado por autorização dos municípios
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sancionou
um projeto de lei estabelecendo que as prefeituras do estado de São Paulo terão
autonomia para vetar ou regulamentar o transporte individual de passageiros por
meio de motocicletas, também chamado de mototáxi. Aprovada pela Assembleia
Legislativa e sancionada pelo governador, a Lei 18.156 foi promulgada no dia 23
de junho de 2025 e publicada na edição de hoje (24) do Diário Oficial do
estado.
Por essa lei, o serviço de mototáxi só poderá ser prestado
mediante autorização e regulamentação por parte dos municípios. O transporte
por motocicletas, geralmente intermediado por aplicativos, deverá então atender
a requisitos específicos que serão definidos por cada prefeitura. “É facultada
aos municípios, observados o interesse local e as peculiaridades de cada um, a
regulamentação do serviço de transporte remunerado privado individual de
passageiros por motocicleta”, diz a legislação.
Caso o transporte seja autorizado, caberá ao motorista
cumprir algumas condições como ter a Carteira Nacional de Habilitação na
categoria A com indicação de atividade remunerada, apresentar a certidão
negativa de antecedentes criminais e conduzir veículo que atenda aos requisitos
de idade máxima e com características exigidas pela autoridade de trânsito e
pelo poder público municipal. O motorista também deverá estar inscrito como
contribuinte individual no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A lei também prevê a cobrança de tributos municipais pela
prestação do serviço e estabelece a aplicação de multas em casos de
descumprimento. "A exploração do transporte individual remunerado sem
cumprir os requisitos estabelecidos nesta lei e nas regulamentações municipais
será considerada atividade ilegal", reforça o texto da nova norma, que
deverá passar por revisão a cada cinco anos.
Capital paulista
Por meio de nota, a prefeitura de São Paulo informou que o
transporte remunerado de passageiros por motocicletas seguirá proibido na
capital paulista por meio de um decreto municipal.
“A lei sancionada pelo governo de São Paulo chancela o
caminho tomado pela prefeitura de São Paulo no sentido de proibir o serviço de
mototáxi na cidade. A administração municipal tem atuado fortemente para evitar
que seja oferecido um modal de transporte que se prova perigoso diante de
acidentes que resultaram nas mortes de passageiros. O prefeito Ricardo Nunes
reforça que os riscos de acidentes e mortes não poderiam deixar de ser uma
preocupação dos responsáveis por legislar no Estado de São Paulo. A nova lei
impõe regra básica em que cada município poderá ou não autorizar o transporte
de passageiros por moto. Com isso, vidas serão salvas”, diz a administração
municipal.
Há meses, a prefeitura de São Paulo e as plataformas de
aplicativos travam uma disputa judicial sobre a permissão do serviço na cidade.
Enquanto as plataformas recorrem a uma lei federal que autoriza a prestação do
serviço do país, a prefeitura contrapõe tal liberação justificando os riscos
aos usuários. Esse debate agora também está ocorrendo na Câmara Municipal de
São Paulo.
De acordo com a prefeitura paulistana, somente em 2024 a
cidade gastou cerca de R$ 35 milhões em cuidados ao trauma com pacientes
vítimas de acidentes de moto, com 4.084 internações hospitalares na rede
municipal de saúde. Neste ano, de 1º de janeiro a 9 de junho de 2025, foram
registradas 6.209 ocorrências por acidentes envolvendo motocicletas.
No entanto, para a Associação Brasileira de Mobilidade e
Tecnologia (Amobitec), entidade que reúne empresas de tecnologia prestadoras de
serviços como Uber e 99, a nova lei é inconstitucional.
“A sanção da Lei nº 18.156/2025 pelo governo do estado de
São Paulo (24/06/2025), que dispõe sobre a obrigatoriedade de autorização e
regulamentação dos municípios do estado para a utilização de motocicletas na
prestação do serviço de transporte privado de passageiros, é inconstitucional e
representa um grave retrocesso para a mobilidade, a geração de renda e a
segurança jurídica em todo o estado”, diz a associação.
De acordo com a associação, a medida ainda pode gerar
insegurança jurídica.
“Essa medida não apenas cria insegurança jurídica, mas
afeta diretamente milhões de trabalhadores e usuários em todo o estado de São
Paulo que, ao contrário dos outros estados brasileiros, podem ser proibidos de
usar os serviços de motoapp. Atualmente, o modal está ativo em mais de 500
municípios paulistas e mais de 9 milhões de usuários já o utilizaram para
realizar ao menos uma viagem, dos quais 5 milhões residem na região
metropolitana de São Paulo. Em vez de fomentar o empreendedorismo e a inovação,
a nova norma restringe o acesso à mobilidade e à geração de renda. Ao delegar
aos municípios a prerrogativa de autorizar — ou, na prática, proibir — o
transporte por aplicativo com motos, a lei viola frontalmente a Constituição
Federal, que garante a livre iniciativa (art. 1º, IV) e reserva à União a
competência exclusiva para legislar sobre trânsito e transporte (art. 22, XI)”,
diz a nota da entidade.
A Amobitec informou que vai avaliar todas as medidas
judiciais cabíveis “para defender o direito ao trabalho, à mobilidade e à
inovação no estado de São Paulo”.